Sabedoria para entender nossas ações e exercer uma influência positiva
O envolvimento dos pais na vida esportiva de seus filhos é um fator determinante para o bem ou para o mal. Claro que nenhum pai quer o mal do seu filho, e mesmo errando, esses erros vem de um lugar de amor, mas ainda assim, essa é uma zona complicada, onde precisamos ter sabedoria para entender nossas ações, e exercer uma influência positiva, usando aquela plataforma, o esporte, para não apenas ter resultados na modalidade, e sim para desenvolver um ser humano preparado para as etapas subsequentes de sua vida.
Alguns pais acabam vivendo, ou tentando reviver seu sucesso atlético através dos seus filhos, projetando suas próprias ambições não realizadas sobre eles, adicionando um peso extra enorme sobre os ombros daquela criança, que acabam sentindo a necessidade de corresponder às expectativas dos pais, ao invés de seguir seus próprios interesses e paixões, mas, se lembrarmos bem, aquilo tudo começou da paixão e da vontade de se divertir, e tirar esse elemento da equação é extremamente prejudicial ao processo todo.

Ao mesmo passo, existe todo um outro lado desta mesma moeda, que se dá pela falta de envolvimento ou interesse dos pais nas atividades esportivas dos filhos. A negligência parental no contexto esportivo dos filhos acarreta em consequências negativas que não vão ser apenas refletidas na performance da criança na modalidade, mas também no bem-estar emocional e no desenvolvimento pessoal dos jovens atletas.
“Precisamos lembrar que existe todo um processo de aprendizagem, que deve ser respeitado, o foco precisa ser nisso, quando se inverte e, o resultado vira o único objetivo, em detrimento ao crescimento pessoal, tira-se o prazer e a satisfação daquela prática!”
Falta de suporte emocional, encorajamento e interesse podem fazer com que o filho se sinta desmotivado
Essa falta de suporte emocional, encorajamento e interesse, pode fazer com que o filho se sinta desvalorizado, desmotivado, e não apenas em relação ao esporte, mas não se sentir amparado pode fazer com que aquela criança, além de desistir do esporte, busque o sentimento de aceitação em outras vertentes, nem sempre saudáveis, ou busque a atenção dos pais de maneiras que podem ser prejudiciais ao relacionamento entre pais e filhos, e quiçá autodestrutivas.
No fim das contas existe todo um universo que se abre através do esporte, muitos pais não tiveram acesso ao que o envolvimento com uma modalidade esportiva pode proporcionar, por enxergarem dessa forma, pode parecer que é só uma atividade que tira o foco dos estudos, e que passar num vestibular é a única forma de ser aceito numa universidade, mas o esporte não apenas promove a saúde física e o bem-estar emocional, também pode abrir portas para oportunidades educacionais significativas, proporcionando aos estudantes atletas os recursos necessários para alcançarem seu potencial acadêmico e profissional.
Não existe um playbook definido de como proceder em todas as jogadas!
Nem sempre a gente acerta como pai, apesar de estar fazendo sempre o que achamos melhor para nossos filhos, eles não vêm com manual de instruções, não existe um playbook definido de como proceder em todas as situações e quais são as jogadas certas, muitas vezes precisamos “tocar de ouvido” e sentir quais seriam as melhores ações, o principal é não perdermos de vista o nosso objetivo, aquilo que vai garantir “os 3 pontos pra nossa casa”, que nosso craque seja feliz e realizado em seja lá o que ele quiser fazer.
Mas meu filho vai ser campeão do mundo
Estabelecer expectativas irrealistas é colocar um nível de estresse tão grande numa criança, uma pressão tão grande que pode gerar ansiedade, pode tirar a graça toda do jogo. O pai acaba tendo aquele como o único assunto, acaba trazendo críticas sobre a performance e rendimento a todo o tempo, e isso cria um ambiente desencorajador, tóxico, o que afeta a autoconfiança e autoestima.
Trazer as críticas para a mesa de jantar, interferir nos treinos, tentar instruir os técnicos, que são os profissionais que receberam sua confiança para desenvolver seus filhos, tiram um dos maiores ensinamentos que o esporte trás, que é a autonomia.
Precisamos lembrar que existe todo um processo de aprendizagem, que deve ser respeitado, o foco precisa ser nisso, quando se inverte e, o resultado vira o único objetivo, em detrimento ao crescimento pessoal, tira-se o prazer e a satisfação daquela prática, acabamos ficando míopes em relação aos ensinamentos contidos nos erros e derrotas, precisa existir a clareza de que nem só a vitória conta, em um dia qualquer, se pode ganhar ou perder, mas a sua postura diante da derrota ou da vitória que determina o tom da jornada.
Às vezes basta estar lá
Mesmo que seu conhecimento sobre aquilo seja pífio, esteja lá, escute seu filho, a ausência dos pais nos eventos esportivos transmite uma mensagem de que todo o esforço dele para chegar até aquele momento simplesmente não importa, isso vai trazer reflexos em outras áreas.
É claro que existem realidades diferentes, nem todos os pais vão ter os recursos para conseguir prover aos filhos as melhores oportunidades que o dinheiro pode comprar, é claro que muitas vezes os pais não vão ter o conhecimento específico daquela modalidade que o filho escolheu, existe um grande contraste social que é meio que o tecido formador de toda nossa sociedade, e que dentro do ambiente esportivo, dentro de quadra, não importa a marca do tênis, se o atleta tem pedigree, é filho de fulano ou ciclano, se a família é de atletas, não importa se o atleta chegou a pé, de ônibus, de carro ou de helicóptero, ali dentro das trincheiras, são todos iguais, lutando por um só objetivo, mas, no fim do dia, um colo é um colo, nem sempre críticas, conselhos ou mesmo palavras são necessárias, um colo é um colo, e o orgulho deve ser do caminho todo, e não só do destino.
Tá, mas então o que eu faço?
O apoio dos pais é fundamental para o sucesso esportivo dos filhos, mas precisamos
saber limitar essa influência, não somos eternos, eles já são nosso legado, então temos que usar nossa posição para cultivar um ambiente positivo, encorajador, focado no desenvolvimento pessoal do nosso campeão, não precisamos criar mais pressão, o esporte já traz, não precisamos ser técnicos, já existem excelentes profissionais fazendo isso, nós precisamos ouvir, apoiar e torcer bastante. Queremos seres humanos resilientes, autoconfiantes, prontos para a vida, felizes, saudáveis, prontos para voar, porque para nós pais, eles já são campeões do mundo, e, para eles, filhos, nós também somos.